Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

CIDADE FUNCHAL

 

Minha noite assombro, meu dia acordado

gene do meu canto, voz inicial,

minha paz, meu grito, meu lar desejado

memória de funcho tornada Funchal.

 

Aroma distância, cor jacarandá

cidade da ilha, umbrais a sonhar.

Desejo em promessa que o amor me dá

na curva do abraço que a terra dá ao mar.

 

Não quero dizer-te

palavras à toa

tão loucas cantigas

que o canto me doa.

Mas quero que saibas

por me ouvir cantar

ó minha cidade,

que te sei amar!

 

Teu olhar-janela ao sol oferecido

miradouro d’ astros, pedra-coração.

Teu rosto-mosaico em verde embutido

-retrato que trago de recordação.

 

De noite improviso de estrelas caídas

de dia moldura de frias rotinas.

Com poeira d’ouro de esp´ranças moídas

recomponho a talha das tuas esquinas.

 

O pé dentro d’ água, o peito no vento,

um cesto de flores, um braço na serra…

Deus queira que os homens que amam a tempo

descubram teu corpo de sol e de terra!

 

 

_________

 

Ruas do Funchal

 

Assinatura do tempo

Rua de Santa Maria,

travessas desta cidade

do Descanso e da Saudade

Rua Nova da Alegria.

 

Ruas do Til e dos Louros

varadouros do olhar.

Rotas certas sem desvios

onde os olhos são navios

à espera de ir ter ao mar.

Rampas de fogo e arrojo

donde se lança o luar.

 

Ruas ao jeito

do meu peito

curvas, volúpias no espaço,

ruas sofridas

percorridas

ruas cansaço

do meu passo.

Ruas garridas

compridas

perfumadas

apertadas

na força do meu abraço.

 

Verdes quintas sonolentas

no silêncio dormem nuas.

Maravilhas, Jasmineiro,

Ilhéus…E em cada canteiro

respira o corpo das ruas.

 

Cheiro a lilás e orquídea

Caminho Velho da Ajuda.

Atrás dos muros antigos

os quintais são os abrigos

da cidade que não muda.

Arca-mistério da infância

que a memória não ajuda.

 

Ruas que eu sinto

labirinto

das minhas fugas inventadas

ruas airosas

luminosas

ruas ousadas

apressadas.

Ruas silentes

ausentes

ansiosas

desejosas

do meu amor demoradas.

 

LUCÍLIA, IreneIlha que é gente. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura, 1986. P.26-27, 69.



publicado por BMFunchal às 03:46
funchal terra da perdicao
JoaoPedro a 7 de Fevereiro de 2012 às 23:22

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