Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Numa época em que as mulheres estavam arredadas do domínio público, a escrita era uma porta semi-aberta. Luísa Susana Grande Freitas Lomelino destacou-se,chegando a ser considerada o “Eça de saias”.

 

Nasceu em Portalegre (Alentejo) a 15 de Fevereiro de 1875. 

 

Segundo Luiz Pete Clode, “Embora nascida no continente, a madeira era para ela a sua terra adoptiva”. Quando uma amiga de Lisboa lhe escreve e pergunta: Quando voltas? Não te agarres. Tu és de cá, não és de lá… Luzia responde:

-Eu já mal sei donde sou. Como certas plantas em todos os terrenos deito raízes. Onde chego, julgo sempre que vou ficar. Sinto-me já amadeirada. Tenho o meu lugar em todas as mesas de “bridge”. Pertenço a todas as associações. [1]

 

Filha do Secretário-geral do Governo Civil do Distrito do Funchal, Eduardo Dias Grande e de D. Luís Ana de Freitas Lomelino, começou a ganhar o gosto pela leitura desde muito nova, porém na escrita só embarcou na idade adulta.Convenceu-a a amiga Maria Amélia Vaz de Carvalho. Depois nem a doença nem a cegueira impediram-na de continuar a escrever.

 

Viveu na Madeira durante muitos anos. Em criança viveu na Quinta das Cruzes com os seus avós.

 

 

Casou com Francisco João de Vasconcelos a 3 de Abril de 1896 de quem se divorciou aos 36 anos. O divórcio só foi tornado possível depois da proclamação da república através da lei de 3 de Novembro de 1910. Não voltou a casar, embora não lhe faltassem pretendentes.

Passou o resto dos seus dias a viajar entre Paris, Lisboa e Funchal.

 

 

Faleceu a 10 de Dezembro de 1945, na sua casa à Quinta Carlos Alberto, Rua do Jasmineiro, Funchal. Tinha 70 anos.

 

Ler artigo de Augusto de Castro, “Assim foi Luzia”

 

 

 

Bibliografia:

 

 

Rindo e chorando. Lisboa: Portugália, 1922.

 

Lições da vida: impressões e comentários. Lisboa: Portugália, s.d.

 

Sobre a vida…sobre a morte: máximas e reflexões. Lisboa: s.n., 1931

 

Cartas do campo e da cidade. 1923.

 

Cartas de uma vagabunda.

 

Uma Rosa de Verão: cartas de mulheres. 1940.

 

Almas e terras onde eu passei. Lisboa: edições Europa, 1936.

Ler conto: “Dias de revolução”.  

 

Os que se divertem: a comédia da vida. 

 

 

Bibliografia consultada:

 

CLODE, Luís Peter – Registo bio-bibliográfico de madeirenses: sécs. XIX e XX. Funchal: Caixa Geral de Depósitos, [1983]. P.251.

 

CONDE, José Martins dos Santos – Luzia: o Eça de Queiroz de saias. Portalegre: Edição do autor, 1990.

 

Das artes e da História da Madeira. Funchal: Sociedade de Concertos da Madeira. V.5, nº25 (1957), p.12-13.

 



[1] José Martins dos Santos Conde – Luzia: o Eça de Queiroz de saias. Portalegre: Edição do autor, 1990. p. 18

 

 



publicado por BMFunchal às 21:43
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