Domingo, 03 de Dezembro de 2006

Foi agricultor, pedreiro e poeta. Era um homem do povo, analfabeto, cuja poesia popular ganhou adeptos por toda a ilha.

 

Nasceu na freguesia do Arco de São Jorge em 14 de Outubro de 1858. Filho de João Gonçalves de Freitas e de Maria Júlia. Conservou a alcunha dos seus antepassados.

 

Casou ainda jovem com Maria de Jesus. Tiveram uma criança que acabou por falecer assim como a sua 1ª esposa.

Casou em segundas núpcias com Maria de Jesus Pestana de quem teve 8 filhos (4 dos quais também faleceram).

 

Segundo GOMES 1959, a poesia de Manuel Gonçalves “é uma reminiscência do jogral medieval, que simultaneamente divertia de censurava”. Segundo o mesmo autor, este poeta ganhou popularidade essencialmente pela sua “sinceridade, espontaneidade, limpidez e originalidade” sendo que a sua principal característica foi criar e não repetir.

 

A sua arte de rimar começou a evidenciar-se perto dos 40 anos nos arraiais madeirenses onde a sua veia criadora se cruzou com os sons do “rajão” e dos “ferrinhos”.

 

Emigrou para o Brasil em 1910 chegando a editar naquele país dois poemas.

 

Fisicamente era um homem que se evidenciava pela sua farta barba que ostentava com orgulho, à imagem dos filósofos. Tinha uma deformidade nas pernas. Nas suas palavras, tinha um “corpo malfeitaço”, “era cambado das pernas”, tinha o “pescoço curto”, os “olhos encolhidos”, “braços delgados e dedos compridos”.

 

Morreu no Arco de São Jorge a 19 de Março de 1927.

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A maior parte da sua bibliografia está impressa em folhetos avulsos os quais vendia nos arraiais e de entre os quais destacaríamos:

 

- O Santo António;

- A Chegada de Suas Majestades; Ver excerto. Ver fotografia

- As raparigas dos bordados;

- O Lavrador;

- A cidade do Funchal;

- As inundações de 1895;

- O meu galo preto;

- A antiguidade de meu pai;

- A vida do Feiticeiro do Norte, descrita por ele mesmo;

- A Madeira;

- A imigração da Madeira;

- A peste do Lazareto;

- Pedro Alvares Cabral e Portugal e Brasil (Editado no Brasil)

 

* A data do seu nascimento não é bem clara. Segundo SILVA 1998, Manuel Gonçalves terá nascido em mil oitocentos e sessenta e tanto enquanto PORTO DA CRUZ  1953 refere que terá nascido em 1868. Nos seus versos autobiográficos, Manuel Gonçalves refere que nasceu em 1858.

 

 

 

Bibliografia consultada:

 

GOMES, Alberto F. – Versos de Manuel Gonçalves (Feiticeiro do Norte). Funchal: s.n., 1959. (Poetas e trovadores da Ilha;2).

 

SILVA, Fernando Augusto da; MENESES, Carlos Azevedo de – Elucidário madeirense. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1998. Edição fac-similada da edição de 1940-1946. Vol. 2. P. 14.

 

PORTO DA CRUZ, Visconde do – Notas e comentários para a História Literária da Madeira: 1910-1952. Funchal: Câmara Municipal do Funchal, 1953. P. 57.

 



publicado por BMFunchal às 17:35
Sou MARCOS GONÇALVES, bisneto do Feiticeiro do Norte, meu pai Manuel Gonçalves, já falecido erá filho de Manuel Firmo Gonçalves, já falecido, que erá filho do feiticeiro, moro aqui em São Paulo - Capital, onde ainda encontra-se netas, netos, bisnetos e tataranetos do feiticeiro, estive no Arco de São Jorge, em julho de 2.008, na casa do Padre Elias Gonçalves Vieira, já falecido mas muito conhecido, onde encontrei a foto do Feiticeiro, fiquei muito contente em ler a sua historia neste site, o qual já conhecia e tenho o livro dele, quem quiser me contatar, meu ema él: goncalvesmarquinhos@terra.com.br

Obrigado

MARCOS GONÇAVES
MARCOS GONÇALVES a 8 de Outubro de 2008 às 19:44

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