Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

 

RODRIGUES, António Feliciano; CÂMARA, Jaime, dir. - Almanach de lembranças madeirenses para o anno de 1908. Funchal: J.M. da Rosa e Silva,1907.

Leia mais aqui  (2,15 MB)



publicado por BMFunchal às 23:56
Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Retirado do livro: A Voyage round the world in his Britannic Magesty’s sloop: Resolution. London: 1797, traduzido por António Marques da Silva, transcrevemos parte das impressões deste naturalista sobre a cidade do Funchal

 

 

“ (…) Na manhã do dia 29 [quarta-feira, 29 de Julho de 1777][1]  fomos agradavelmente surpreendidos pelo aspecto pitoresco da cidade do Funchal que se ergue em anfiteatro, à volta da baía, sobre as suaves elevações das colinas mais próximas. Deste modo surgem embelezados os edifícios públicos ou particulares. Geralmente são completamente brancos, muitos com dois andares e cobertos por telhados baixos, pelo que adquirem esse elegante estilo ocidental e aquela simplicidade, de que são inteiramente desprovidos os nossos estreitos edifícios com seus telhados agudos e a densa aglomeração de chaminés. À beira-mar encontram-se algumas baterias e plataformas com canhões. Um castelo antigo, com vista sobre todo o porto, ergue-se no cimo do íngreme e negra rocha, rodeada pelo mar na maré alta. Os ingleses chamam-lhe Loorock [Ilhéu da Pontinha]. Numa elevação vizinha, acima da cidade, existe outro chamado San João do Pico ou o castelo de S. João. As colinas ao fundo da cidade ajudam a completar a beleza da paisagem, cobertas como estão de vinhedos, tapadas, plantações e bosques, alternando com as casas de campo e algumas igrejas. no conjunto isto pareceu-nos um jardim de fadas e possibilitou-nos conceber algumas ideias acerca dos jardins suspensos da rainha Semiramis. (…)

A cidade está longe de corresponder às expectativas que se geram ao ser observada do porto. As ruas são estreitas, mal pavimentadas e sujas; as casas, construídas de pedra ou tijolo, apresentam-se escuras e apenas algumas das melhores, pertencentes a comerciantes ingleses, exibem janelas com vidros; todas as outras possuem, em seu lugar uma espécie de gradeado suspenso em dobradiças e que pode ser eventualmente levantado. Os rés-do-chão, na sua maioria, são destinados a habitação de criados ou armazém. (…)”

 

FORSTER, George; trad. SILVA, António Marques da - Uma visão da Madeira: viagem à volta do mundo no navio “Resolution” sob o comando do capitão COOK (1772-75) In Atlântico: Revista de Temas Culturais. Nº 5 (Primavera 1986). Funchal: António E. F. Loja. p. 69-78

 

Imagem retirada deste sítio onde poderá saber mais sobre Gerge Forster:

http://en.wikipedia.org/wiki/Georg_Forster

 



[1] A informação em parêntesis recto foi retirada das notas do referido artigo.

 



publicado por BMFunchal às 16:37
Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

 

Hoje a cidade do Funchal comemora o seu 499º aniversário da elevação a cidade.

Até 2008, a BMF pretende continuar com as suas actividades de divulgação da informação sobre esta cidade, juntando-se assim a tantas outras instituições nas comemorações dos 500 anos.



publicado por BMFunchal às 16:06
Domingo, 12 de Agosto de 2007

"John Barrow, conhecido navegador e orientalista inglês, foi o fundador da Sociedade de Geografia de Londres e secretário do Almirantado, tendo prestado valioso auxílio às expedições de Ross, Franklin, Perry, etc.. As suas obras são ainda hoje lidas com interesse, destacando-se a Voyage to Cochinchina, onde a forma literária dá colorido e relevo ao cenário que escreve.

 

Quem diria que num livro, cujo título nos chama a atenção para o Oriente, se encontrasse um capítulo tão interessante sobre a Madeira?

 

Barrow aqui esteve em 1793 e, entrando o porto do Funchal de manhãzinha, escreve:

 

Com o alvorecer, gradualmente se vão dissipando os nevoeiros e o desenrolar do panorama é cheio de atractivos para um estrangeiro, pela variação do colorido e da novidade.

Na límpida baía vem mirar-se a cidade, escoante pela encosta, amparada aos lados por íngremes e escabrosas rochas vulcânicas, e contrastar singularmente com a branca casaria e a ridente vegetação que vai trepando ao mais alto da montanha.

Destacam-se, a cavaleiro, pelos socalcos do aclive, igrejas e capelas, vivendas e conventos, bizarramente dispostas, e casinhas minúsculas, perdidas a distância.

A espelhante baía coalhada de embarcações, os pequenos barcos dormentes na praia, o grande Ilhéu, lavado da maresia e montado de canhões dão ao conjunto um aspecto soberbo e grandioso.

O porto do Funchal é considerado bom ancoradouro, e em quase todo o tempo abrigado, apenas se torna perigoso quando sopra o rijo vento do sul, irritando a onda ao motim de vagalhões que arrastam à praia a mais bem ferrada embarcação, como acontece com o “Hindostan”, naufragado enquanto o comandante Makintosh estava em terra, sem poder ir socorrer a tripulação que toda pereceu.

(…)

Varas de porcos atraídos pelo engodo dos monturos vagueiam em liberdade pelas ruas, o que é causa de enfado para um estrangeiro, tanto mais que os suínos arrogam-se de tal familiaridade, dando, não raro, uma focinhada no transeunte a título de saudação.

Poucas habitações boas possui o Funchal, e essas, pertencem a vários negociantes ingleses que se acham estabelecidos com negócios de vinho, são casas bastante espaçosas mas não oferecem, no entanto, cómodos e conforto desejados. (…)

Contrariamente aos costumes dos outros países, onde os pedintes se apresentam com aparência que imprime compaixão, aqui os pobres usam o seu melhor fato na missão de mendigar, tendo observado um de cabeleira e espadim. "

 

 

 

SARMENTO, Alberto Artur – Ensaios históricos da minha terra: ilha da Madeira. 2ª ed. Funchal: Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1952. p.131-133.

Imagem:

Funchal In Barrow, John - A Voyage to Cochinchina in the years 1792 and 1793. London: T. Cadell and W. Davies, 1806. p.5



publicado por BMFunchal às 17:23
Quinta-feira, 09 de Agosto de 2007

Miguel Torga, pseud. de Adolfo Correia Rocha, nasceu em S. Martinho de Anta a 12 de Agosto de 1907 e morreu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995.

 

Na comemoração do centenário do nascimento de Miguel Torga, alguns textos sobre a Madeira no Diário, vol XIII.

 

(…) Funchal, 25 de Agosto de 1980 – Cá estou de novo, depois dum salto que juntou numa só duas aflições. A que sentia no Algarve e a que sinto aqui. Guardião lírico da identidade nacional, padeço tormentos sempre que a vejo ameaçada. e em ambos os sítios acontece. Chega a meter raiva. nos lugares cosmopolitas lá de fora, nenhuma invasão estrangeira altera o perfil nativo. Veneza é a mais italiana das terras italianas. nas nossas instâncias turísticas, pelo contrário, o alheio sobrepõe-se de tal modo ao caseiro que o configura. É um mimetismo trágico, que nos põe a falar, a pensar e a sentir como o invasor. Sei que há uma eternidade para além de todas as circunstâncias exógenas. Os pescadores de Câmara de Lobos ou de Lagos, como tais, hão-de ter sempre a mesma têmpera de homens do mar. Mas gosto mais deles com os estigmas portugueses bem à vista. Dão-me outras garantias de irmandade.

 

Eira do Serrado, Curral das Freiras, 26 de Agosto de 1980 – escreveu Nietzsche que para amar o abismo é preciso ter asas. Eu diria que basta apenas ser homem. Mas madeirense…

 

Funchal, 27 de Agosto de 1980 – Felizes, estes ingleses. Conseguem ter a arte de se instalar e estar sempre de visita nos melhores sítios do mundo.

 

 

Pico do Areeiro, 28 de Agosto de 1980 – A Madeira que eu amo verdadeiramente, que não me canso de admirar, que não tem comparação com outra qualquer realidade geográfica minha conhecida. Que se não deixou corromper por nenhum turismo, que se mantém ciclópica, abissal, rebeldemente estéril e inacessível. Que transmite aos sentidos o espanto e o calafrio que despertam as coisas primordiais. Que não cabe nos olhos que a vêem e nas palavras que a descrevem. Que é uma espécie de alucinação da natureza.

 

Porto Moniz, 29 de Agosto de 1980 – Lembrar-me eu que podia poderia ter morrido sem conhecer os caminhos de assombro que vêm dar a esta terra! E pensar depois que é quase certo que nunca mais os tornarei a ver…

 

(…)

Funchal, 31 de Agosto de 1980 – Acabaram-se os sete dias de sortilégio. Antes de partir, encho os olhos até onde posso desta realidade geológica que tanto me faz lembrar o meu Doiro amado, pela graça suplementar da cultura que foi acrescentada à beleza silvestre. Aqui como lá, a mão laboriosa soube humanizar a rude paisagem natural sem a desfigurar. O que era majestoso e belo depois de granjeado.

já quase esquecido dos tapetes persas que pisei com pés de caçador, dos criados portugueses que só queriam entender inglês, da futilidade dos casinos e do folclorismo turístico, é o milagre dos abismos povoados , das levas de água conduzidas, das grandes ravinas amanhadas que levo na retina maravilhada e agradecida è tenacidade epopeica de irmãos de sangue que transformaram, e continuam a transformar dia a dia, uma ilha de lava convulsionada num presépio de vida florida de esperança.

 

(…)

TORGA, Miguel – Diário. Vol. XIII. Coimbra, s.d. p.147-151



publicado por BMFunchal às 12:11
Terça-feira, 07 de Agosto de 2007

Frente a Madeira cae la tarde

la clara tarde primaveral.

De sierra a sierra, de loma a loma

cuidad de sueños, sueña Funchal.

 

Nossa Senhora do Monte quiso

darle esta calma tan singular

y esta bahia, donde callada

orla de espuma le borda el mar.

 

Dadme una casa por la ladera.

Cien tardes quiero vivir acà.

Casa com huerto donde sus ramos

alce el florido jacarandà!

 

Nossa Senhora do Monte, pueda

esta hora frágil eternizar;

Gaviota…nube…sol que se pone….

vela que vuelve del vasto mar.

 

El mar en calma, que alegre espejo!

Mirante y sueña feliz, Funchal!

Gloria de un pueblo de navegantes!

Flor de los mares de Portugal!

 

Para uma pequena bio-bibliografia deste autor:

http://www.canaltrans.com/literatura/biografias/capdevila.html

Imagem:

Vista sobre o Funchal In Trigo, Adriano A.;Trigo, Annibal A. - Roteiro e guia do Funchal. Funchal:Typ. "Esperança", 1910.



publicado por BMFunchal às 21:10
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