Terça-feira, 27 de Março de 2007

Aproveitamos a celebração para aqui colocar uma transcrição de uma das críticas de teatro da autoria de João dos Reis Gomes. O artigo surgiu inicialmente no Heraldo da Madeira e, mais tarde, foi compilado na obra Figuras de teatro.

 

 


Na “Cigarra”, de Halevy e Mailhac, com música de Freitas Gazul, levada à scena no Teatro D. Maria Pia, do Funchal, em 30 de Abril de 1906

 

O Papel de “Cigarra” desempenhado por Palmyra Bastos tem uma interpretação um pouco diferente daquela que era do conhecimento do nosso público.

Ha a considerar, realmente, nessa interessante figura, duas influências diversas, opostas mesmo, actuando sobre a sua psicologia.

Uma que se refere á hereditariedade, outra que diz respeito á sua educação.

A cigarra, filha duma nobre e honesta família, e roubada em tenra idade por uns pelotiqueiros que a educaram para a sua profissão, recebeu no seu carácter fundamental as modificações que o novo meio lhe deveria imprimir, fatal e inexoravelmente.

O seu eu é pois a resultante dessas duas forças. Conforme se considera maior ou menor o valor duma componente em relação à outra. Assim temos a “Cigarra” mais ou menos viva, mais ou menos saltimbanca. e ainda em momentos diferentes, segundo o lance exigido pela acção, pode surgir mais evidentemente o temperamento herdado, ou as manifestações do carácter parcialmente contrahido.

O papel, segundo as modernas exigências do teatro, deve ser estudado sob este duplo ponto de vista para ter valor artístico.

Palmyra Bastos considerou a personagem, porventura, mais sujeita à influência do carácter hereditário, o que era também mais grato ás considerações do seu temperamento próprio.

Discorda o seu trabalho do de outras artistas, como Lucinda do Carmo, que por interpretação diversa, o obrigam á manifestação de uma mais poderosa influencia educativa.

Ambas as interpretações são lógicas e defensáveis.

No caso de Palmyra Bastos, o papel tem de ser mais detalhado para fazer sentir ao público os efeitos dessa influência muito menos aparente.

Foi o que ela fez, trabalhando-o com inteligência e particular cuidado. No outro caso a personagem é, desde logo, mais assimilável pelos efeitos pitorescos que a artista dela tira, e que o público recebe fácil e imediatamente.

É assim que a lógica “Cigarra” de Palmyra Bastos se distingue da “Cigarra” brilhante de Lucinda do Carmo, ambas porém, nas duas diversas criações dignas de todo o apreço e aplauso.

 

 

GOMES, João dos Reis – Figuras de teatro. Funchal: Edição da Comissão promotora, 1928. p.25-26

 

Saiba  mais sobre  Palmira Bastos.



publicado por BMFunchal às 21:31
Sábado, 24 de Março de 2007

Algumas imagens retiradas do periódico A Ilustração Portugueza de 1887.



publicado por BMFunchal às 00:03
Terça-feira, 20 de Março de 2007

(memória, montagem)

 

      O poema é um animal;

      nenhum poema se destina ao leitor;

      ou, como um quadro, assume o poder dos feitiços,

objectos mágicos ou instrumentos de esconjurar os es –

píritos, ou a emoção, ou o inconsciente, guardando o

homem de uma oculta dependência de tudo;

      porque se vive dos lucros da superstição;

      e é forçoso existir a natureza, outorgada às nossas violações;

      ou que as regras de organização do poema são as

mesma da natureza, mas os elementos com que o poe-

ma se organiza não estão na natureza;

      e o poema não transcreve o mundo, mas é o rival do

      mundo.

      São casas de Aristóteles, Benjamim, Picasso, Huido-

Bro, Malraux.

      Casas por onde se entra e de onde se sai, por por-

tas travessas ou janelas, por telhados e escadas derra-

deiras, pela frente, abrindo túneis nas caves, escreven-

do torto em linhas direitas, ateando fogos, pelas trasei-       Biografia

ras.

      Ou ficando imóvel no meio dos móveis, um vulto na

travessia dos quartos aglomerados.

(…)

      Ou então o poema vitaliza a vida se a toca nalguns

pontos.

      O poema gera uma vida nesses pontos tocados.

      É um colar de pérolas, as pérolas todas juntas, cir-

cuitos vibrante que se pode sentir à roda do pescoço com

uma viveza autómota de bicho.

(…)

      Qualquer poema é um filme, e o único elemento que

importa é o tempo, e o espaço é a metáfora do tempo, e

o que se narra é a ressurreição do instante exactamente

anterior à morte, a fulgurante agonia de um nervo que

irrompe do poema e faz saltar a vida dentro da massa

irreal do mundo.

(…)

 

 

HELDER, HERBERTO – Photomaton & Vox. 3ª Ed. Lisboa: Assírio e Alvim, 1995.  P.145-148. ISBN 972-37-0124-3.



publicado por BMFunchal às 23:18
Domingo, 18 de Março de 2007

 

 

 

Outra curiosa publicidade retirada do  Diário da Madeira de 8 de Março de 1925.



publicado por BMFunchal às 23:19
Quarta-feira, 14 de Março de 2007

O faroleiro

 

Apenas este ilhéu é que é pequeno

O resto é tudo grande: o tédio, a vida,

O dia enorme, a noite mais comprida,

E o mar, calmo ou feroz, rude ou sereno;

 

O tempo, esse narcótico veneno,

A dor, essa letárgica bebida,

O desejo, essa voz enrouquecida,

E a saudade, o distante e branco aceno.

 

Tudo profundo, imenso, na amplidão,

Eterno quási na desolação

E sobrenatural na solidão.

 

A luz vermelha a reflectir-se além…

Nenhum vapor que vai, nenhum que vem…

Farol e faroleiro – e mais ninguém.

 

 

Aos cativos

 

Vós outros, que sois cativos,

Grilos dentro de gaiola;

Aves, que andastes à solta,

E vos prenderam à argola;

Peixes nalguma redoma,

Muito mais mortos que vivos, -

Ouvi:

Maior prisão é cá dentro.

 

 

Vós outros, que sois cativos,

Com ferrolhos pelas portas,

E chaves de muitas voltas,

Medonhas grades por fora,
E luz, por dentro, tão pouca,

E antes mortos do que vivos, -

Ouvi:

Preso está quem anda à solta.

 

Mas seja assim, muito embora,

Vós outros, que sois cativos,

Minh’ alma não vos ignora

Nesta prisão de aqui fora,

Onde é noite a toda a hora,

E, condenados, os vivos

Parecem mortos agora; -

Ouvi:

O tempo tudo melhora

 

NASCIMENTO, Cabral do – Cancioneiro. Lisboa: Edições Gama, 1943. P.61-62, 107-108.



publicado por BMFunchal às 20:35
Terça-feira, 13 de Março de 2007

Durante a 1ª Guerra Mundial, a cidade do Funchal foi bombardeada duas vezes. O primeiro bombardeamento ocorreu no dia 3 de Dezembro de 1916 e o segundo no dia 12 de Dezembro de 1917.

O acontecimento teve início  às 8:30 horas da manhã com o bombardeamento de três barcos das forças aliadas, respectivamente, por ordem de torpedeamento, La Surprise - canhoneira da marinha de guerra francesa; Kanguroo – vapor da mesma nacionalidade; e Dacia – vapor mercante inglês quando estes se encontravam ancorados no Porto do Funchal.

O bombardeamento durou até às 11 horas. Embora com o ripostar da fortaleza de São Tiago e da Vigia, os tiros não conseguiram atingir nenhum dos submarinos. Estes, porém, conseguiram bombardear o Funchal nas zonas periféricas, como o caso da Rua da Queimada de Cima, Rua do Bispo, Calçada de Santa Clara,  Quinta Vigia, Cemitério das Angústias ou o Jardim Municipal.

Em terra não houve baixas, porém, no mar morreram não só franceses como também portugueses.

O segundo bombardeamento ocorreu no referido dia às 6 h 20 m e durou 30 minutos. Ainda assim, conseguiu bombardear mais áreas da cidade e, ao contrário do bombardeamento anterior, causar a morte de 5 pessoas e cerca de 30 ficaram feridas.

Desta vez, a bomba que caiu na Igreja feriu o padre Manuel da Silva Branco que se encontrava a celebrar missa.

 

Ver primeira página Diário da Madeira do dia 5 de Dezembro de 1916

 

Referência bibliográfica

SILVA, Fernando Augusto da; MENESES, Carlos Azevedo de – Elucidário madeirense. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1998. Edição fac-similada da edição de 1940-1946.

 

 

Sobre a canhoneira francesa: Surprise.

http://www.ceha-madeira.net/elucidario/s/sur2.htm

 

Sobre o Convento de Santa Clara

http://www.madeira-web.com/PagesP/churches/santa-clara.html



publicado por BMFunchal às 22:26
Quarta-feira, 07 de Março de 2007

Mulheres madeirenses, ou que estiveram relacionadas com a sua história, que se destacaram nos séc.XIX e XX,  nas várias áreas do conhecimento.

Levantamento das entradas femininas na obra: Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX.



publicado por BMFunchal às 23:27
Sexta-feira, 02 de Março de 2007

 

 

 

Outra curiosidade retirada do Diário da Madeira de 4 de Fevereiro de 1925.



publicado por BMFunchal às 00:32
mais sobre mim
Março 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
15
16
17

19
21
22
23

25
26
28
29
30
31


links
pesquisar neste blog
 
subscrever feeds