Quinta-feira, 06 de Dezembro de 2007

 

A data do seu nascimento não é clara.

Segundo o seu sobrinho, Januário Justiniano de Nóbrega, no antelóquio à reimpressão de Rimas, terá nascido em 1773. De acordo com Fernando Augusto da Silva, nasceu a 30 de Novembro de 1773, data também confirmada por Francisco Álvares de Nóbrega. A Antologia literária, contudo, refere como data de nascimento 30 Novembro de 1772.

Filho de Domingos de Nóbrega Barreto e Ana Rita Sampaio, moradores à Rua dos Moinhos, Sítio da Banda de Além, Machico.

Aprendeu a ler nesta cidade. O pai mandou-o para o Funchal onde se empregaria numa loja de fazendas de um abastado comerciante – Marcos João de Ornelas.

Este, observando as capacidades do jovem poeta para os estudos, impeliu-o a continuar. Ainda que o sacerdócio não fosse o seu intento, aos 20 anos Francisco Álvares de Nóbrega matricula-se no Seminário de São João Evangelista, à época o modo mais comum de continuar a desenvolver as suas capacidades intelectuais.

Foi aluno do cónego deão da Sé do Funchal, João Francisco Lopes Rocha, a quem chama o “Cícero funchalense” num dos seus poemas. 

Quando estava no 3º ano, foi expulso do Seminário e enviado para uma masmorra e depois foi enviado para uma cárcere (Limoeiro) em Lisboa. Este facto ficou a dever-se aos seus poemas de teor satírico direccionados / envolvendo o então bispo D. José da Costa Torres. Ler um desses poemas.

A vingança do ultrajado bispo fez com que Francisco A. de Nóbrega fosse incluído na lista dos perseguidos por maçonaria.

Foi, assim, vítima da perseguição aos pedreiros-livres, iniciada em 1792 com o edital que convidava todos os que dele tivessem conhecimento a denunciarem as pessoas que defendiam princípios contra a segurança da pessoa real e da religião.

Na prisão, pouco antes de ser posto em liberdade, contrai lepra.

Depois de sair da cárcere, debilitado, é acolhido por Manuel José Moreira Pinto Baptista, na casa de quem vem a suicidar-se,

O seu sobrinho retrata os últimos dias do poeta:

“Já a este tempo o afligia a moléstia fatal que veda a quem a sofre, dar a mão de amigo, tratar os seus semelhantes, e aborrecido da vida, cansado de lutar com a adversidade, vertendo, longe dos seus, acerbas angústias, no meio de penosas privações, aos 34 anos de idade, achou que devia cortar o fio da existência, consumindo o que já tinha revelado ao seu amigo e benfeitor Manuel José Moreira Pinto Baptista. Levantou a própria eça no silêncio da noite; rodeou-se dos livros a que consagrara as longas horas de insónia, pôs à cabeceira os seus escritos, e libando como Sócrates, a bebida fatal, adormeceu no seio do Criador.”

 

Ler antelóquio de Januário Justiniano de Nóbrega na íntegra.

 

 

BORGES, Ângela; STEPHANE, Isabel; CARITA, Rui – Antologia literária: Madeira sécs. XVII e XVIII. Funchal: Secretaria Regional da Educação, 1987. p.303-327

 

NÓBREGA, Francisco Álvares; GOMES, Alberto F.- Rimas. Funchal: Voz da Madeira, 1958.

 

SARMENTO, Alberto Artur - Ensaios históricos da minha terra. 2ª ed. Funchal: Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1952. Vol.3. p.103-104

 

SILVA, Fernando Augusto da; MENESES, Carlos Azevedo de - Elucidário Madeirense. Funchal: DRAC, 1998. Vol. 1,p.60-61.

 



publicado por BMFunchal às 22:27
A data de nascimento de Francisco Álvares de Nóbrega consta do seu registo de baptismo (30 de Nov. de 1773), pelo que não há hoje nenhuma dúvida. Ver artigo de Ivone Correia Alves "Para uma biografia de Francisco André Álvares de Nóbrega" publicado em "Actas das Comemorações", Nº1, do Bicentenário da Morte de Francisco Álvares de Nóbrega (1773-1806), ocorrido em 2006-2007 e promovido pela EFAN - Estudos Nobricenses.
Ver também "Inquisição de Lisboa: Procº Nº 15764", da mesma autora e publicado pela mesma Associação.
Muitas outras comunicações relativas às referidas Comemorações, aguardam publicação.
Melhores cumprimentos.
Ivone Correia Alves
Ivone Correia Alves a 1 de Abril de 2009 às 11:32

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